Sabe ele tinha o cabelo comprido, eu quase que podia dizer
que amava esse detalhe dele. Sempre valorizei demais o superficial e sua
superfície me era maravilhosa.
Nunca parei para perguntar sobre seus gostos ou o que
causava as suas gargalhadas exageradas. Só pensava em como seria sentir seu
toque, sua boca rosa e carnuda definitivamente deveria ser beijada.
Nunca me afoguei em seus olhos, mas aos inícios da madrugada
sempre imaginava como seria afagar seus cabelos. Até que você os cortou, eu
que, jurava que provavelmente era amor, notei que meu amor era apenas ao seu
penteado.
Cortar aquela sua juba convidativa, cortou também os laços
superficiais que eu havia colocado em você.
Foi amor, até uma ia ao barbeiro.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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