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Home Archive for agosto 2016
A ideia dessa última carta veio de sexta feira passada, eu tenho preguiça de colocar qualquer coisa em prática, você sempre reclamava muito disso.

Como de praxe a Barbara me arrastou para mais um daqueles bares da Augusta, aqueles que não faço ideia de como fui parar lá, mas sei que provavelmente vou ficar até o metro voltar a operar, no início da manhã.

Já era duas da manhã quando notei aquele relógio em cima de nossa mesa, no lugar dos números haviam pássaros, para cada hora uma espécie diferente, antes de eu olhar o que representava as dez horas já sábia que era um canário.

Não sei se naquele momento morri de sufoco ou de surpresa, realmente odeio minha memória falha e como sempre me perco nos lugares errados.
-
Era 17 de abril de 2014, estávamos na mesa ao lado da que estou agora, o espaço era para seis, mas apertávamos em nove, eram todos seus amigos, com exceção do Gabriel, que após uns meses nos tornamos íntimos. Era apenas 22 horas e você já estava na sua terceira garrafa de cerveja, eu te abraçava de lado pois meu juízo já estava completamente imperfeito.
Você matou metade da garrafa em um gole e me pediu completamente abobado:
- Vocês aqui presentes são agora a prova do nosso amor, queria te dizer que lhe pertenço, assim como as estrelas pertencem ao céu e gostaria de oficializar isso, se assim você também me pertencer.
-
Você sempre se saiu bem com as palavras, até mesmo quando bêbado. Isso é tudo que eu lembro, até o dia seguinte que tive a pior ressaca da minha vida.

Naquela noite, em meados de abril, você pediu minha mão e eu tola lhe dei o corpo inteiro.
Boa parte de mim nunca acreditou em amor, muito menos em casamentos e em chuvas de arroz, dois meses depois daquilo a gente se desencontrou.

Dizem que amor pode mover mares e montanhas, o que tivemos nunca chegou nem perto disso. O que tínhamos era cólera, nos matávamos aos poucos, em um relacionamento inseguro e quase que abusivo, de ambas as partes.

Minha vida se resume no antes e depois de você e todas as vezes que sinto sua falta parece que voltei para o dia zero, um ciclo extremamente vicioso.

Sai do transe com uma amiga da Barbara me perguntando se eu queria comer algo, pedi cianureto, mas o barulho a impediu de ouvir, por sorte. Fingi um mal-estar e falei que iria ao banheiro.

A solidão sempre me caiu bem para o mal, fiquei uma parte da eternidade dentro daquele banheiro que cheirava a vomito de catuaba, até o cheiro me causar náuseas e me obrigar a sair.

Não que eu não goste das amigas da Barbara, mas agora, aquele ambiente só aumentaria meu mal-estar.  Olhei para Barbara até ela me olhar de volta, fiz um sinal com a mão que iria fumar, sai do bar e sentei-me no meio fio, que fedia quase tanto quanto aquele banheiro imundo.

Olhei para o céu por alguns minutos, mas o mesmo não me entreteve, a noite estava nublada demais para meu gosto.

Odiava aquele lugar, eu nem sabia o que era Augusta antes de você, peguei o prometido cigarro e pequei ao me entregar mais ao que éramos.

Há uns 4 anos atrás eu vim para esse inferno pela primeira vez, nós estávamos juntos há uma semana, ainda estávamos naquela fase de querer impressionar. Eu estava na livraria cultura lendo a sinopse de algum livro do King, inclusive foi naquele dia que conheci o autor.

Você era completamente impulsivo e tinha uma mania chata de me puxar pelo braço, como uma criança, quando se empolgava.  Você fez isso, fazendo com que eu derrubasse o livro e o deixasse lá jogado no chão, você me fez atravessar aquela puta avenida correndo para parar repentinamente sorrindo para mim, aquele sorriso que te fazia ganhar qualquer perdão.

-
- Adivinha porquê estamos aqui
- espero que tenha um bom motivo para esse estardalhaço.
- estamos no meu segundo e terceiro lugar favorito nessa cidade, essa é a esquina da Paulista com a Augusta. Descendo aqui tive o meu primeiro pt e também conheci meu melhor amigo e indo reto é onde eu passava os fins de semana com meu pai. Sabe que horas são?
Acompanhei os olhos dele que subiram para um prédio que tinha um relógio digital enorme, marcava exatamente 21:07.
- Não vou dar um horário exato, mas sei que por volta das 21 horas há uma semana atrás a gente se conheceu. Por algum motivo você foi parar na estação Granja Julieta, acho que você mora por lá, ne? Bom oficialmente estivemos juntos nos meus melhores lugares de SP, pois a partir de agora aquela estação sempre vai me lembrar de você e desde que te conheci tem sido a minha pessoa favorita no mundo.
-
Não havia uma maneira de não me apaixonar por você. Eu era pacata, vim do interior e de relacionamentos comuns, conhecer você e toda sua intensidade me fez uma nova pessoa.

Definitivamente nada combina mais com meu estado espiritual do que a garoa fina que começou a cair, como nos filmes de romance, o clima também resolveu sentir o meu drama e o meu desamparo. Minha maior decepção foi pegar o ultimo cigarro, não me importava me molhar, mas tirar o meu tranquilizante faria a madrugada estender-se por anos.

Por vezes penso em sair de São Paulo, cada canto dessa cidade encontro um pedaço nosso, esse lugar pertence ao que éramos, não ao que eu agora sou. 

- Aposto que está perdida – novamente despenquei realidade abaixo, uma garota franzina com uma camiseta escrita “I’m strange” com brilhos prateados, por alguma razão resolvera apreciar um pouco da falta de paisagem comigo.- Desculpa, só ia pedir um cigarro, mas sua expressão me deixou intrigada. Tá sozinha?

- Minhas amigas estão dentro do bar, o cigarro acabou, mas não seria mal encontrar mais um maço.

- Já que você está sozinha

- eu n...

- Suas amigas estão dentro do bar, ok. Eu estou perdida e acho que você também está, pare de me olhar como se eu fosse algum tipo de louca. Não são nem três da manhã e eu acho que seria legal sua companhia. 

- Como quiser – Ela parecia muito leviana, eu realmente queria fugir de todos os ecos negativos da minha mente, eu realmente queria fugir do meu desespero que clama seu nome.

- Você é bonita, mas essa expressão de tristeza é horrorosa. Desculpa a invasão, mas pela sua cara e a irritabilidade que está demonstrando agora, aposto que tem algo a ver com amor.

- Eu já disse que não tenho cigarro. – Ela suspirou desanimada – se você realmente está perdida talvez eu possa te ajudar, me diz onde quer chegar e se eu não souber alguém por aqui deve saber

- Eu quero saber onde me encontro, se é que posso me encontrar, eu não lembro quando, como e nem onde me perdi. Acho que já vim ao mundo assim, procurando desesperadamente me encontrar e me perdendo gradativamente.

Eu demorei alguns segundos para compreender que ela não falava de localização geográfica, que eu não poderia ajuda-la e que provavelmente ela acertou, eu estou há muito tempo perdida.

- Pelo visto alguns perdidos se reconhecem.

- Digamos que estou nessa estrada há muito tempo. – Eu só pude sorrir, já não tinha o que dizer...- Diga-me o que te aflige e eu lhe digo a solução.

- Meu dilema não é solucionável, são apenas problemas amorosos.

- Tenta, quem sabe eu possa te surpreender.... Vaai se situa – eu a conhecia a menos de cinco minutos e já estava completamente encantada e não sei exatamente o motivo, mas me “situei”

Desde o dia que deixamos de sermos nos parei de dizer seu nome em voz alta, sempre tive medo de ao ouvi-lo perder todas as forças. Seu nome era uma palavra mágica, que me derrotava, se a vida fosse como o xadrez você se chamaria Xeque-mate. Todas as vezes que eu joguei com você eu perdi, até quando achava que ganhava, eu estava perdendo.

Eu disse para ela, absolutamente tudo, como você parecia o sol e como agora tudo estava tão escuro. Disse que você gostava de me pegar no colo, só para dizer que nem em peso eu tinha valor, era uma piada estupida que para você nunca perdia a graça.

Também disse que você gargalhava como uma hiena, que em seu sorriso tinha covinhas tão profundas que diversas vezes acabei ilhada nelas. Disse dos nossos apelidos, disse que eu havia saído de onde nem judas terias coragem de perder as suas botas para vir morar aqui e que na semana seguinte te conheci.

Eu comecei a chorar quando falei das nossas idas para lugar nenhum, acordávamos e ainda sonolento você me rodava até ficar zonza, tapava meus olhos e fazia eu apontar em algum lugar no mapa, era um mapa de SP e seus arredores, onde meu dedo parava era nosso programa de fim de semana, eu nunca mais tive programas bons assim.

Eu nunca havia feito amor antes de você, tinha passado por meia dúzia de camas, mas só na sua aprendi o que era amor e não tenho coragem de procurar o amor em outros lençóis.

Já era manhã quando notei que havia parado de garoar, provavelmente há horas, o asfalto estava seco e um sol branco de inverno tentava dar suas caras entre as nuvens. Meu rosto permanecia tão molhado que qualquer um que passava dizia que eu poderia ter enfrentado uma tempestade, minha tempestade sempre foi você.

Ao terminar toda minha novela mexicana, olhei para o bar e vi que a Barbara e suas amigas haviam me abandonado, OTIMO, pensei comigo, provavelmente estavam bêbadas demais para lembrar-se de mim. Antes de pensar em ir embora, senti uma pressão inesperada em meu braço esquerdo.

- Por que você me bateu?

- Você passou a madrugada inteira falando, falando e falando de como o cara era incrível e de como você o amava. Mas nunca parou para perceber que talvez quem seja incrível é você. Sabe você encontrou o amor nos detalhes e até mesmo na forma dele te amar.

- Mas isso não importa mais... – No segundo seguinte ela me beijou, minha única reação foi beija-la de volta. Era um beijo doce e carinhoso, meio salgado por conta das minhas lágrimas que ainda caiam. Eu não tinha beijado ninguém depois de você.

Ela desceu a mão lentamente por minha cintura, até minha bunda, aquela ação premeditada me fez parar, ela sorriu e me deu outro soco e pronunciou lentamente, ainda com o rosto colado ao meu – espero que alguém me ame como você o amou.  Nos duas pertencemos ao mundo e sempre estaremos perdidas – ela mexeu em meu cabelo e olhou para baixo em um meio sorriso.

 – Escreva uma carta, ninguém nunca provou que os mortos não podem ler. – Ela selou os lábios ao meus, levantou-se em um pulo e saiu correndo Augusta abaixo – Só naquele momento percebi como ela era linda e me perguntei como uma garota com o padrão de beleza dela interessou-se tanto em mim.


Está noite resolvi lavar minhas roupas e qual não foi minha surpresa quando um papel caiu do bolso da calça que eu usei naquela noite. Em um garrancho horrível estava escrito um número de telefone e um nome o acompanhava “Alanys” mais abaixo numa caligrafia ainda mais torta e quase ilegível “me liga quando conquistar sua liberdade, nem antes e nem depois, NA HORA”.

Eu conquistei, mas precisava te escrever antes, para ter certeza. É provável que eu esteja apaixonada, talvez até não, talvez seja só encanto passageiro, mas espero que essa passagem me leve a algum lugar.

Eu nunca vou esquecer seu cheiro, nem a forma como me abraçava quando sentia medo, nunca vou esquecer da última vez que nos falamos e jamais vou desvalorizar tudo que você me ensinou. Se a morte não tivesse te roubado de mim, teríamos tido um futuro incrível.


Você foi, mas eu permaneço, permanecerei te amando, mas em outros ares. Até o dia que o ar me falte e que meus sonhos se realizem, até o dia que eu vá acordar ao seu lado. Me perdoa, mas insistir nessa cólera me priva da liberdade e eu preciso voar, mesmo que seja sem você.
Sabe ele tinha o cabelo comprido, eu quase que podia dizer que amava esse detalhe dele. Sempre valorizei demais o superficial e sua superfície me era maravilhosa.

Nunca parei para perguntar sobre seus gostos ou o que causava as suas gargalhadas exageradas. Só pensava em como seria sentir seu toque, sua boca rosa e carnuda definitivamente deveria ser beijada.

Nunca me afoguei em seus olhos, mas aos inícios da madrugada sempre imaginava como seria afagar seus cabelos. Até que você os cortou, eu que, jurava que provavelmente era amor, notei que meu amor era apenas ao seu penteado.

Cortar aquela sua juba convidativa, cortou também os laços superficiais que eu havia colocado em você.

Foi amor, até uma ia ao barbeiro.
Sei que poderia acrescentar mais coisas, um milhão delas. Mas sei bem que palavras são como o vento e sei melhor ainda que você está bem agasalhado.

Bom isso acabou, a cada frase eu alimentava mais o que sinto, alimentar amor com lembranças torna-o doente. Preciso deixa-lo morrer de fome, assim ele deixa de ser um moribundo que implora por amor, como os doentes que imploram por saúde, como eu que imploro por você.


Sou muito ansiosa, leio livros numa velocidade absurda, porque não consigo nem dormir sem saber o final. Queria ter te lido rapidamente, assim conseguiria entender o fim. Mas você me emprestou o livro e tomou assim que acabei de ler a introdução, e eu estava interessada no que acontecia no resto da história.

Quando você reapareceu alegando que sentia saudade, aquela foi a primeira vez que sentiu falta? Eu sentia e sinto todos os dias e a todo o momento, parece que seu cheiro está cravado até no ar que respiro.
Já tive medo de pegar o metro e te encontrar, na verdade eu te via em todas as estações e em todos os vagões. Há em SP um lugar seguro de você?
Você é quem eu apresentaria aos meus amigos e diria: “ele é o cara”. Ninguém antes conseguiu de mim o que você conseguiu e eu achava impossível que um dia eu me apegasse assim. Sempre aleguei que poderia controlar o que sinto, pensava que era assim até sentir algo por você e perder todo o controle.
Você sempre me disse que a vida é uma só e que devemos aproveita-la, infelizmente não viverei outra vida para te ter, queria ter lhe tido completamente nessa.

Odeio como sou tudo ou nada e eu te tornei o meu tudo, agora, parece tão impossível te tornar nada. Todos passam por um amor que o destrói e faz amadurecer, o meu é você. 
Se fosse possível te tornaria um objeto. O objeto do meu maior egoísmo, o qual ninguém olharia ou tocaria, seria apenas meu.

Quando eu era criança eu tinha um sapato favorito, era uma galocha azul. Eu era a dona do mundo com ela, podia suja-la sem deixar minha mãe furiosa. Eu adorava aquilo, saia com ela para todos os lugares e a mostrava para todo mundo. Se alguém a pedia emprestada eu dizia: “não, te empresto qualquer coisa, mas ela não”.

Morria de ciúmes daquela galocha e considerava ela o meu objeto mais precioso. Gostava de deixa-la próxima a minha cama quando ia dormir, para coloca-la ao acordar. Eu a amava e era completamente egoísta em relação a ela.

Um dia cheguei em casa e fui procura-la, não estava onde costumava deixar, perguntei para minha mãe se tinha visto e ela me disse que havia dado. De repente ela foi embora, sem mais e nem menos, minha surpresa maior foi na semana seguinte encontra-la nos pés de uma prima.

Eu chorei, gritei e queria bater tanto na minha prima quanto na minha mãe. Como pode meu bem mais precioso não me pertencer mais? Quão injusto isso pode ser, era meu e poderia ficar comigo para sempre, se alguém não intervisse.

Bom... esse foi o meu primeiro ataque de ciúmes que eu me lembro, os últimos foram graças a você.

Você é a “pessoa” do meu maior egoísmo, só de pensar que você pode estar com outro alguém, que você está por aí disposto a beijar outras bocas e amar outros corpos, eu enlouqueço.

Há um ponto que eu perco minhas noções, aquele que eu vejo que não posso ter a única pessoa no mundo que eu quero ter.

Eu tenho uma lista com todas as gurias que eu não suporto que estão ao seu redor, antes era só que eu não suportava, agora, é a lista de meninas que eu não suporto e invejo, porque elas estão ao seu redor.

Serei sempre apenas só mais uma das pessoas que passou na sua vida e não fez diferença alguma, a que você esquece com uma facilidade ridícula. Sendo que você é a pessoa que passou na minha vida e fez toda a diferença do mundo e eu não consigo esquecer de você nem mesmo por um segundo.

Eu me odeio tanto por ser insuficiente, eu me odeio por não ter conseguido te conquistar, mas odeio muito mais que apesar de tudo que já aconteceu, apesar de me sentir usada, apesar de você ter me tratado como objeto para satisfazer sua carência e apesar de você estar pouco se fodendo para mim, o fato de eu te querer de volta, eu te querer tanto a ponto que eu não me importar com tudo isso que são coisas pequenas e supérfluas perto do que sinto.


Eu o amo tanto que me dói. Eu tenho direito de sentir tudo isso por você? 
Quantos vezes vou ter que te dizer adeus até você partir de verdade?

Já faz um tempo que as coisas não vão muito bem, tenho evitado reclamar tanto, afinal eu não me movo tão bem para mudar e eu te desculpo por já não estar tão presente. Tenho me aliado mais ao otimismo e dessa vez realmente estou acreditando em mim e que as coisas vão melhorar, em algum momento tudo tem que se encaixar né? Ao menos eu espero que sim.

Eu sinto falta sabe? De quando podia falar com você todos os dias e em todas as horas, de quando você ao menos fingia me amar e eu sabia que podia te procurar. Me apeguei demais aos excessos que você me ofereceu. É fácil falar que vou superar e aplicar o desapego, mas a pratica é tão ao contrário.

Muitas vezes eu queria nem ter te conhecido, mas inicialmente você insistiu tanto para sair comigo que eu acabei cedendo e mesmo agora não consigo saber se isso foi um grande erro ou um grande acerto, talvez um pouco dos dois.

Eu te odeio e te amo na mesma intensidade, mas sempre há dias que eu odeio mais, aliás todos os dias que você não está presente o ódio se sobressai, mas quando você me chama, só por chamar, logo tudo torna-se amor.

Agora, quando escrevo é sempre sobre você e para você, não gostaria de continuar escrevendo romances clichês ou qualquer idiotice misturada ao gênero, mas por mais que eu saiba que para você já não represento nada, você continua sendo o meu tudo e tudo isso dói para caralho todos os dias. E como acho que você não sabe, eu nunca precisei falar, preferi sempre escrever e considero uma troca equivalente.

Eu estou super cansada da minha carência, exausta. Eu preciso o tempo todo de contato humano, não digo só romanticamente, e conhecer você fez tudo isso piorar. Já beijei tantas bocas procurando pela sua, já me afoguei em tantos rios procurando pelo mar que você é, aprendi bem que não se troca o amargor do sal nem pelo mais doce açúcar, e você é tão amargo.

Eu queria escrever isso e finalizar com um “te superei, finalmente posso dizer que não te amo mais”, mas seria uma puta mentira para satisfazer o meu ego, tentar recuperar o pouco de orgulho que ainda me resta.

Mas o que é amar alguém intensamente e cegamente, se não abrir mão de todos aqueles sentimentos supérfluos, queria que você também fosse assim.

Tem uma parte de mim que realmente deseja que você seja feliz, eu quero mesmo que você consiga se realizar e ser mais autoconfiante. Mas tem aquela minha parte “egoísta” a qual eu desejo que você nunca encontre alguém que mude essa sua ideia mesquinha de sentir-se preso sem motivos, mas aí eu lembro que não consigo acreditar nisso e a única coisa que quero é que você se foda.

Você me confessou que oculta muita coisa, gostaria de saber o real motivo que você sempre ocultou de mim, que me impede sempre de prosseguir. A forma que você agiu é tão diferente da forma que você diz sentir-se e eu não consigo entender.

Notei que a cada dia que eu me esforcei para te odiar acabei te amando mais. Uma vez eu te perguntei e você não me respondeu, acho que o tempo mesmo está respondendo isso. Não há uma maneira de sair com vida DE você.


Odeio o fato de em todas as minhas poesias te encontrar.
Um dia a gente se reencontra? Quem sabe, numa situação mais propicia, faremos tudo diferente e as coisas darão certo dessa vez. Eu mudei tanto graças a você, agradeço muito, é uma pena não ter alcançado as suas expectativas.
Já foi insuficiente para alguém? É uma sensação tão decepcionante. Eu tenho me tornado melhor e menos tímida, não por você, por mim, se tivesse sido mais paciente você iria notar, mas isso seria o bastante?
O quanto eu tenho que te desejar para te ter de volta? E se eu parar de desejar você não volta nunca mais?
Tenho uma teoria de que quando é amor não morre, não some e não acaba. Esfria, é logico, nada que o tempo e a distância não consigam degradar. Para mim, permanece sendo amor, tão aceso como no dia que te abracei pela primeira vez, o que foi para você?

Até que ponto seu egoísmo me privou da verdade?
Odeio como é tão fácil te amar

Sou tão estúpida quando o assunto é você.
Eu posso falar do seu sorriso?
Como ele é lindo,
como você é lindo
e como viveria apenas para te ver sorrir?
me desculpa não saber te recomendar músicas legais
e ter assunto banais
Me  perdoa a falta de graça, de comunicação
e não ser quem você sempre sonhou.




Veja bem, meu bem. Já faz tempo que nossos laços não se entrelaçam mais.

Soube como nós, tornou-se eu e você ao desbloquear meu celular sem te procurar, sem a esperança de encontrar-me com as suas palavras vazias e as suas mentiras confortáveis.

A maior mentira de todas seria dizer que não sinto falta, mas já não devo amar aquilo que sei que pertence a outro alguém.

Queria eu algum dia pertencer a alguém que não seja você, mas depois de você só consigo pertencer a mim.

Você me disse que eu era tão jovem e tinha muito pela frente, sempre vimos o tempo de forma diferente, e sem você meus dias voltaram a ser tão curtos. Você ainda terá seus 80 anos e já sabemos que para mim só restam 9.

Você ainda me deve um beijo, queria que pudesse paga-lo, sentir o gosto da sua boca de novo me mataria, mas me faria viver por alguns segundos. Vale a pena uns segundos de vida pela morte? Se esses segundos forem com você, acho que sim.

Você sabe qual é o valor de um segundo, quando esse segundo é ao seu lado?


Se cada a hora a mais com você fosse uma hora a menos viva, eu trocaria todas as horas possíveis para te ter até morrer. Afinal sei que não há uma maneira de sair com vida de você. 
Já que tudo que escrevo é sobre você. Isso também é sobre você, mas muito mais sobre mim. Sobre meu desejo ilimitado e amor exagerado, sobre como você fez eu exceder todos os meus limites e me tornou uma louca, quase, senão, inconsequente.  


Eu invejo a forma como tudo sempre pareceu mais fácil para você, no fim disse-me que se sentia mais leve, havia tirado um peso das costas, eu. Engraçado que eu sempre fui leve demais, metade de mim flutuava e a outra metade você nem se deu ao trabalho de conhecer.
Quando você se foi levou minha paz, minha sanidade e todo o meu sono junto. Eu queria que tivesse levado meu coração também, porque ele ainda lhe pertence, mesmo não estando mais presente.
Queria que a empatia fizesse uma morada em você, assim você poderia sentir um pouco dessa merda toda que está rolando comigo, os dias são fáceis sabe? O problema são as noites, as voltas para casa, chorar num ônibus lotado tornou-se praxe. Logo para mim, a guria que não chorava.
Espero um dia aceitar que perdi a pessoa incrível que você é, ou talvez, eu só note que você não é uma pessoa tão incrível assim.

Odeio olhar para minha cama vazia. Sabe... no meu travesseiro ainda vive seu cheiro, nem todas as lágrimas do mundo e nem a meia dúzia de lavagens que ele passou tirou você dele, assim como tudo que tentei não te tirou de mim.
Em alguns meses finalmente irei me formar, me disseram que posso me especializar em algo, mas em que me especializaria além de você?

Até porque já me formei em seus sorrisos e posso fazer o meu mestrado nas covinhas que se formavam nos cantos de suas bochechas quando me via.


Meu doutorado certamente vou provar a tese que borboletas no estomago são para os fracos e covardes, risco mesmo é o que eu corria todas as vezes que seus toques me faziam ter ataques cardíacos. 
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Sobre Mim

Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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