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Home Archive for dezembro 2015
Eu só queria encontrar meu lugar no mundo, infelizmente você nunca me deixou participar do seu. Irônico que agora que meu mundo está completo você queira fazer parte dele. 
É irônico como baixei os CD’s das suas bandas favoritas, só para saber qual era aquela música que você cantava baixinho quando estava entediado.  Eu adorava quando você se dizia curioso sobre quem eu era, na época eu até achava bonitinho. Minha cegueira me impediu de ver que eram apenas jogos de conquista, você nunca se interessou por quem eu realmente sou.

Eu sempre ansiei para encontrar meu lugar no mundo, infelizmente você nunca me deixou participar do seu. Suas palavras foram só brisa macia trazendo a tempestade, afinal.

Me incomoda o fato como você sempre soube que secretamente eu olhava as fotos que você curtia, e assim no dia que você pretendia terminar, antes de me dizer qualquer coisa você curtiu as fotos dela. Então eu soube, eu só não quis acreditar e me rendi pela primeira vez ao otimismo. Só para acabar tendo certeza que ele não funciona.
Ela que era a mulher perfeita, que saiu dos seus sonhos. Até nos sorrisos dela você queria se encaixar, sinto muito, mas ela te deixou e despedaçou seu coração, a mulher dos seus sonhos também foi a dos seus pesadelos. Lembro perfeitamente como me disse cabisbaixo que se tornara só cacos e que eu ajudei a juntar. Agora vejo que não valeu de nada o que fiz, pq para você nem o meu sentimento mais profundo fez diferença.
Dói perceber que amei sozinha, me abri com você e contei como meu coração era um mar de feridas e como tinha medo de relacionamentos e já estava tão machucada, que "nós" deveria ser uma má ideia. Mas você me abraçou olhou firmemente nos meus olhos e prometeu que seria a diferença que minha vida precisava.
Já tinha ouvido isso antes, mas mesmo assim inocentemente eu acreditei. Que tola eu fui, não? E de novo está aqui meu coração, bem mais ferido que antes. 

Aos seus presentes, dei-lhes lugar no fundo de uma gaveta, espero que funcione assim também o meu coração.  Poder colocar tudo que sinto lá no fundo, até esquecer-me do que senti. 
Me pergunto se quando ele fala comigo, quando me chama nas redes sociais é por pena, ele sempre foi bem amável. É a cara dele fazer algo assim, não por maldade, meio inevitável é um defeito dele, tentar consolar a dor que causou.

Ele era amável demais, me lembrava minha infância, quando minha avó me oferecia bolos com excesso de cobertura, quando ainda me poupavam das verdades, para não entender o que era sofrer. Ele me lembrava noites de verão, sabe aquelas que você junta todas as pessoas que ama para comer, beber e rir por horas? Isso é o que ele é.

Sei que em nossa despedida ele foi uma das criaturas mais frias do universo, ah eu bem sei, eu congelei naquele dia, suas palavras da brisa macia que sempre foram, tornaram-se nevoa e meu coração que antes era brasa, virou gelo. Me pergunto se em algum momento encontrarei uma forma de aquecer o frio que me tomou.

E a “pena, dó, compaixão” que sempre foram os sentimentos que mais condenei, que mais evitei, foram dos quais sobrevivemos. Foi exatamente saber da existência deles que mais me destruiu. Amei demais, me entreguei demais, me iludi demais, chorei demais, infelizmente meu sinônimo sempre foram os excessos.

Foi muita soma para algo que aos poucos é cada vez menos, para algo que achava que seria multiplicação. Ao menos, agora, eu sei que posso seguir em frente. O amor não pode ser individual, não funciona, por isso ele machuca. As pessoas tendem a ser individualistas e meu problema é que sempre preferi trabalhar em dupla.

Eu nunca escrevi sobre o que sentia por você, até não poder sentir mais.
Ela morreu de fome, um dia acordou e simplesmente percebeu que não queria mais comer. Seu estômago já não roncava e não almejava alimentos, não os considerava nem ao menos saborosos, não conseguia comer.  Apenas o ato de aproximar algo de sua boca lhe causava náuseas. Dentro dela só subia uma mare de sentimentos negativos.

Sei que se tivesse vivido por mais um dia, talvez, tivesse tido uma de suas crises que acabavam com tentativas de suicídio e seu final seria trágico de qualquer forma. Mas, não.... Ela morreu de fome, meu caro.

 Ela poderia ter morrido há dois meses em um assalto malsucedido, poderia ter sido atropelada, já que atravessar ruas nunca foi o seu forte ou apenas o acaso poderia tê-la matado. Mas, não.... Ela morreu de fome diante da abundância de alimentos, morreu frente a comida mais saborosa desde a criação da Terra, tão saborosa, mas foi impedida de tocar.

Não comeu por quase duas semanas e não dormiu por cinco noites e PLAU. Uma noite após uma de suas constantes alucinações ela sentiu-se viva, como nunca antes, seu estômago gritou por ajuda pela última vez e sua cabeça atordoada concordou. As mais profundas dores de sua alma tornaram-se rasas e no segundo seguinte sua vida se esvaiu, levando consigo todas as coisas incríveis de uma vida que jamais será vivida, que jamais quis ser vivida. 

Sempre quis ser uma pessoa calorosa e ao me tornar uma entendi por que todo mundo almeja ser tão frio. O mundo é um lugar muito cruel para o amor, muito doloroso para quem insiste em ter um coração.

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Sobre Mim

Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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