Se fosse
possível te tornaria um objeto. O objeto do meu maior egoísmo, o qual ninguém
olharia ou tocaria, seria apenas meu.
Quando eu era
criança eu tinha um sapato favorito, era uma galocha azul. Eu era a dona do
mundo com ela, podia suja-la sem deixar minha mãe furiosa. Eu adorava aquilo,
saia com ela para todos os lugares e a mostrava para todo mundo. Se alguém a
pedia emprestada eu dizia: “não, te empresto qualquer coisa, mas ela não”.
Morria de ciúmes
daquela galocha e considerava ela o meu objeto mais precioso. Gostava de
deixa-la próxima a minha cama quando ia dormir, para coloca-la ao acordar. Eu a
amava e era completamente egoísta em relação a ela.
Um dia cheguei
em casa e fui procura-la, não estava onde costumava deixar, perguntei para
minha mãe se tinha visto e ela me disse que havia dado. De repente ela foi
embora, sem mais e nem menos, minha surpresa maior foi na semana seguinte
encontra-la nos pés de uma prima.
Eu chorei,
gritei e queria bater tanto na minha prima quanto na minha mãe. Como pode meu
bem mais precioso não me pertencer mais? Quão injusto isso pode ser, era meu e
poderia ficar comigo para sempre, se alguém não intervisse.
Bom... esse foi
o meu primeiro ataque de ciúmes que eu me lembro, os últimos foram graças a
você.
Você é a
“pessoa” do meu maior egoísmo, só de pensar que você pode estar com outro
alguém, que você está por aí disposto a beijar outras bocas e amar outros
corpos, eu enlouqueço.
Há um ponto que
eu perco minhas noções, aquele que eu vejo que não posso ter a única pessoa no
mundo que eu quero ter.
Eu tenho uma
lista com todas as gurias que eu não suporto que estão ao seu redor, antes era
só que eu não suportava, agora, é a lista de meninas que eu não suporto e
invejo, porque elas estão ao seu redor.
Serei sempre
apenas só mais uma das pessoas que passou na sua vida e não fez diferença
alguma, a que você esquece com uma facilidade ridícula. Sendo que você é a
pessoa que passou na minha vida e fez toda a diferença do mundo e eu não
consigo esquecer de você nem mesmo por um segundo.
Eu me odeio
tanto por ser insuficiente, eu me odeio por não ter conseguido te conquistar,
mas odeio muito mais que apesar de tudo que já aconteceu, apesar de me sentir
usada, apesar de você ter me tratado como objeto para satisfazer sua carência e
apesar de você estar pouco se fodendo para mim, o fato de eu te querer de
volta, eu te querer tanto a ponto que eu não me importar com tudo isso que são
coisas pequenas e supérfluas perto do que sinto.
Eu o amo tanto
que me dói. Eu tenho direito de sentir tudo isso por você?
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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