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Home Archive for março 2012
          Toda vez que fecho os olhos tenho medo de abri-los novamente. Abrir e me dar conta que o tempo acabou, ver minhas malas frente a minha casa e ver um caminhĂ£o levando uma pequena parte de mim. Ver que a minha felicidade nĂ£o vai ser encaixotada e levada junto, ela vai ficar pra trĂ¡s, com tudo que ha de mais importante.
          Se os fechar novamente nĂ£o vou querer abrir, nĂ£o quero ser mal educada, adolescente mimada, a menina revoltada.
          Manter os olhos abertos, em um piscar tudo pode mudar, tudo pode mudar... Medo, medo, essa angustia, ansiedade mortal. Preciso fechar os olhos, preciso descansar, preciso da minha felicidade comigo, preciso dele pra esquecer que o mundo machuca. Preciso acreditar... Preciso aceitar...
          TrĂªs, quatro meses, fechei meus olhos, agora vejo mina vida baseada nisso. A distĂ¢ncia cruel que arranca um sentimento lĂ¡ no fundo, a saudade. Queria nĂ£o chorar, preciso ser forte. Mas meus olhos estĂ£o fechados o tempo esta acabando, talvez meu coraĂ§Ă£o comprimido desapareça e eu esqueça, mas nĂ£o. Minha felicidade Ă© perfeita demais para ficar pra trĂ¡s.
          Ir, nĂ£o ir, viver, vencer... NĂ£o Ă© sĂ³ escolher... SĂ³ posso dizer o quĂ£o te amo razĂ£o do meu sorrir.

                    Um homem jovem alto, uma face vivida, dentro de um terno preto de grife, inapropriado para o local tĂ£o humilde onde estava. Encostado numa janela, impedindo que qualquer luminosidade entrasse naquele minĂºsculo cĂ´modo. Uma espĂ©cie de quarto; a umidade nas paredes fizera o seu reboco cair a um bom tempo, o teto esburacado parecia que poderia desmoronar a qualquer momento, havia tambĂ©m um alçapĂ£o no chĂ£o, que era Ăºnica certeza que havia uma saĂ­da daquele lugar imundo e horrendo. JĂ¡ seria desconfortĂ¡vel aquele rapaz sozinho ali, mas havia mais alguĂ©m com ele, uma menina, aparentemente como todas as outras, mas atravĂ©s de algo nĂ£o atento se podia presenciar o incomum. Ela era de uma cor pĂ¡lida, como se nunca houvesse saĂ­do Ă  luz sol, seus cabelos longos e pretos com pequenos cachos nas pontas e um vestidinho branco lhe davam uma aparĂªncia mais infantil, seis talvez sete anos. PorĂ©m seu olhar lhe dava mais, nada inocente residia naquele corpo.
          Ela estava sentada numa velha cadeira de madeira, que rugia a cada movimento que ela fazia, ela estava insegura era certo isso, seu olhar mudava a todo o momento, como se houvesse uma guerra silenciosa dentro de si, uma hora bom outro ruim, como um corpo de dois donos.
            Passaram-se horas e o jovem encostado na janela sem se movimentar, assim chegou Ă  noite e o olhar gĂ©lido na criança permaneceu, atĂ© se cansar e cair e um sono profundo. Acordando horas mais tarde. Estava marrada naquela mesma cadeira, dominou-se pelo desespero ao perceber que estava sozinha e presa naquele lugar medĂ­ocre, tentando se libertar caiu junto Ă  cadeira. Passaram-se horas e ela estava lĂ¡ caĂ­da e chorando, esperando atĂ© aquele rapaz voltar, afinal ela sabia que gritar nĂ£o iria adiantar.
          Um dia, dois dias, dois dias e meio a menina estava desnutrida, perto da morte, atĂ© aquilo que jazia dentro de si travando guerras, havia a deixado. A menina totalmente indiferente, pronta para morrer assim como merecia. Ela teve um pouco de fĂ© quando o alçapĂ£o do chĂ£o se abriu, mas as lagrimas voltaram ao rever aquele jovem que tinha a deixado para morrer. Ele estava com uma mochila, que nĂ£o combinava com aquele mesmo terno que ainda vestia. Foi atĂ© a menina afrouxou um pouco as cordas, de uma maneira que ela nĂ£o podia se libertar a levantou e a abraçou tirou da mochila comida e a alimentou. E o fez de novo encostou-se Ă  janela e lĂ¡ ficou, mas dessa vez ele a observava.
          A noite chegou novamente, o jovem rapaz entĂ£o se movimentou, pegou duas garrafas de sua mochila e começou a jogar o liquido que nelas haviam por todo aquele cĂ´modo, quando chegou Ă  menina jogou aquele liquido nela sem hesitar. Depois de dias de convĂ­vio, ele lhe dirigiu a palavra pela primeira vez.
- Eu sei que nĂ£o Ă© bom o que farei, mas algumas coisas precisam descansar, e o que quase morreu dentro de vocĂª e que permanece ai precisa muito disso. Se vocĂª morrer, o demĂ´nio morre junto contigo e o mal aqui presente se vai. – jogou um tanto de sal nela. Abriu o galpĂ£o e pouco antes de descer por ele jogou um isqueiro aceso, o liquido que mais parecia Ă¡gua, virou chamas rapidamente, atĂ© chegar Ă  criança, sua pele branca e macia, foi se transformando numa pele vermelha e cheia de bolhas. Sua Ăºnica imagem foi da fumaça negra entrando em seu peito e sufocando seus pulmões. Ela nĂ£o gritou, nĂ£o hesitou por um momento se quer, apenas aceitou a morte como lhe fora dada. Seu corpo virou cinzas e sua alma amedrontadora se aprisionou ali onde fora sua ultima estĂ¡dia.
          LamentĂ¡vel como foi mais um pecado, nenhum demĂ´nio morreu, sĂ³ se foi um corpo, inabitĂ¡vel. NinguĂ©m nunca a salvou, agradeceram pela alma amaldiçoada que se foi, mal sabiam que aquilo seria uma salvaĂ§Ă£o ao que fora perdido.
          O violĂ£o em minhas mĂ£os, tocando aquela musica, a mĂºsica que me faz lembrar, o que nĂ£o devia o que nĂ£o poderia, mas isso me distrai o que me tira desse mundo cruel. A arma esta ali, uma Ăºnica bala, uma Ăºnica razĂ£o, o que fazer? Eu ou vocĂª?
          VĂ¡ garota, aceite as mentiras, viva a sua vida. Ela tenta, tenta muito ser feliz, Ă© impossĂ­vel quando hĂ¡ um mal passado a encobrir. E mais uma vez deixo de tocar, esqueço de apreciar a minha mĂºsica, a arma me chama, a bala pede pela puniĂ§Ă£o, eu ou ele? Eu ou ele? Maldita  duvida cruel, a resposta estĂ¡ aqui, eu sei eu sinto, eu devo ir, mas ainda nĂ£o chegou a hora, porĂ©m nĂ£o serei sĂ³ eu a morrer.
      
         O estrondo a bala cravada, o sangue escorrendo, o pequeno garoto implorando.
· por que vocĂª faz isso comigo, o que te fiz?
- nĂ£o permitirei que vocĂª cometa esse crime com mais ninguĂ©m, por que faz isso? Eu tanto te amei.
- vocĂª Ă© louca, por favor, nĂ£o me mate, eu nĂ£o sei o que fiz de errado. Perdoa-me...
          Ontem eu o vi, ele a beijava, a agarrava com tanto desejo, com tanto amor, eu nĂ£o podia deixar isso acontecer, eu tinha que salva-la, entĂ£o atirei, era a Ăºnica bala, minha sorte nĂ£o estava comigo, eu errei, como sou incompetente nĂ£o consegui o matar, mas agora sei que Ă© minha hora, a Ă¡gua estĂ¡ abaixo, Ă¡gua corrente, eu sei que nĂ£o irei sobreviver.
          Um susto de repente, a Ă¡gua a minha frente, falta Ă  respiraĂ§Ă£o, por fim a escuridĂ£o, ações involuntĂ¡rias, o que fiz foi em vĂ£o, o problema nĂ£o era ele, o ser que agora serĂ¡ o paraplĂ©gico, foi inocente, nada passou alem do meu amor doentio.
          o estrondo o corpo afundando, ela partiu ali... A musica que tocava, que fora sua despedida, pequena criminosa. NĂ£o volte mais.

          TĂ£o escuro e ao mesmo tempo tĂ£o claro, tĂ£o vazio e tĂ£o cheio. Tanto desespero ao meio de tanta calma. Tanta Ă¢nsia de querer fazer tudo mudar e medo de ter tudo diferente. Minha falta de esperança consome cada raio de vida que hĂ¡ em mim. NĂ£o que eu esteja morrendo, a morte jĂ¡ chegou aqui hĂ¡ muito tempo, mas atĂ© sua presença fugaz se foi.
          Estranho como todas as manhas a luz do Sol evita me cobrir, mas os insistentes olhares nĂ£o evitam me ferir. Minha mente me enlouquece cada vez mais ao me iludir, nĂ£o tenho forças para controlar o que penso, por isso prefiro acreditar em mentiras que faço Ă¡ mim mesmo.
           Meu transtorno mental me faz desejar cuspir minha alma. Mas sendo feliz ou infeliz, nĂ£o tenho força para chegar atĂ© o fim, para entender o que jĂ¡ Ă© inexistente, para deixar de ser uma mera presença mortal que se esvai quando menos se espera. Quando a esperança realmente brilha...  Quando a fĂ© finalmente nasce... E minha luz finalmente se apaga, como todas as outras...
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Sobre Mim

Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tĂ£o boa de queda quanto de cicatrizaĂ§Ă£o. Casada com a impaciĂªncia e melhor amiga da falta de atenĂ§Ă£o, tantos anos que nĂ£o gosto de contar. Dona do portuguĂªs mais desafinado desse paĂ­s e fĂ£ de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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