Quantos vezes vou ter que te dizer adeus até você partir de
verdade?
Já faz um tempo
que as coisas não vão muito bem, tenho evitado reclamar tanto, afinal eu não me
movo tão bem para mudar e eu te desculpo por já não estar tão presente. Tenho
me aliado mais ao otimismo e dessa vez realmente estou acreditando em mim e que
as coisas vão melhorar, em algum momento tudo tem que se encaixar né? Ao menos
eu espero que sim.
Eu sinto falta
sabe? De quando podia falar com você todos os dias e em todas as horas, de
quando você ao menos fingia me amar e eu sabia que podia te procurar. Me
apeguei demais aos excessos que você me ofereceu. É fácil falar que vou superar
e aplicar o desapego, mas a pratica é tão ao contrário.
Muitas vezes eu
queria nem ter te conhecido, mas inicialmente você insistiu tanto para sair
comigo que eu acabei cedendo e mesmo agora não consigo saber se isso foi um
grande erro ou um grande acerto, talvez um pouco dos dois.
Eu te odeio e
te amo na mesma intensidade, mas sempre há dias que eu odeio mais, aliás todos
os dias que você não está presente o ódio se sobressai, mas quando você me
chama, só por chamar, logo tudo torna-se amor.
Agora, quando
escrevo é sempre sobre você e para você, não gostaria de continuar escrevendo
romances clichês ou qualquer idiotice misturada ao gênero, mas por mais que eu
saiba que para você já não represento nada, você continua sendo o meu tudo e
tudo isso dói para caralho todos os dias. E como acho que você não sabe, eu
nunca precisei falar, preferi sempre escrever e considero uma troca
equivalente.
Eu estou super
cansada da minha carência, exausta. Eu preciso o tempo todo de contato humano,
não digo só romanticamente, e conhecer você fez tudo isso piorar. Já beijei
tantas bocas procurando pela sua, já me afoguei em tantos rios procurando pelo
mar que você é, aprendi bem que não se troca o amargor do sal nem pelo mais
doce açúcar, e você é tão amargo.
Eu queria
escrever isso e finalizar com um “te superei, finalmente posso dizer que não te
amo mais”, mas seria uma puta mentira para satisfazer o meu ego, tentar
recuperar o pouco de orgulho que ainda me resta.
Mas o que é
amar alguém intensamente e cegamente, se não abrir mão de todos aqueles
sentimentos supérfluos, queria que você também fosse assim.
Tem uma parte
de mim que realmente deseja que você seja feliz, eu quero mesmo que você
consiga se realizar e ser mais autoconfiante. Mas tem aquela minha parte
“egoísta” a qual eu desejo que você nunca encontre alguém que mude essa sua
ideia mesquinha de sentir-se preso sem motivos, mas aí eu lembro que não
consigo acreditar nisso e a única coisa que quero é que você se foda.
Você me
confessou que oculta muita coisa, gostaria de saber o real motivo que você
sempre ocultou de mim, que me impede sempre de prosseguir. A forma que você
agiu é tão diferente da forma que você diz sentir-se e eu não consigo entender.
Notei que a
cada dia que eu me esforcei para te odiar acabei te amando mais. Uma vez eu te
perguntei e você não me respondeu, acho que o tempo mesmo está respondendo
isso. Não há uma maneira de sair com vida DE
você.
Odeio o fato de
em todas as minhas poesias te encontrar.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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