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Home Archive for maio 2012

                     Eu sei que é apenas mais um dia monótono como todos os outros, ficar na frente do computador entediado, não faz tanta diferença. Mas hoje está mais estranho que o normal, a cadeira na qual sempre me conforto, não esta suave como sempre, o teclado em que desabo não esta mais ciente de minhas palavras indiscretas. Eu sei que realmente isso só possa ser uma duvida de como fazer tudo ser diferente, de como sair na luz do sol de novo e parar de viver como um zumbi na frente disso. Mas o medo sempre acaba sendo pior, sempre fico aqui, sozinha, trancada em meus próprios medos.
                     Medo é exatamente o que me mantém viva e morta, é um paradoxo. Não saio daqui por medo de viver, não faço essa angustia acabar, por medo de partir, por medo de morrer. Sou estranho eu sei, eu não deveria ser assim. Talvez um dia eu tenha a oportunidade de ser uma garota normal, e sorrir junto a alguém. Alguém é mais ou menos aquilo que as pessoas costumam chamar de amigo. Não sei o significado literal disso, mas dizem que é magnífico.
                  Já faz muito tempo que não sinto a brisa do cair das noites, não lembro a ultima vez que vi o Sol se por, deve ter sido em alguma das fotos que estão espalhas por ai. A única coisa que faz minha alma continuar vagando nessa imensidão é uma pequena falha que me faz ter esperança. Esperança? Não eu não tenho, o medo apenas ele me faz estar aqui. Medo. Quem sabe um dia encontre um príncipe num cavalo branco que arrombe a porta do meu apartamento, me leve à força para longe daqui. Do jeito que tenho sorte, ele seria algum tipo de alcoólatra confundindo sua casa, e estaria com um vira-lata, só me fazendo sentir mais medo de tudo isso que está ai fora. É realmente chato e vago, ficar falando tanto e dizendo nada, só descrever um pouco de agonia, por que minhas angustias já se foram.
                      O assento da minha cadeira esta mais dura que o habitual, alguém realmente pesado deve ter sentado aqui, talvez esteja sendo observada, mas as janelas estão fechadas, as portas estão trancadas. Mas eu dormi, eu dormi, por um segundo eu dormi, sei que dormi. Algo pode ter acontecido enquanto baixei minha guarda. Meu teclado está surrado, eu tenho certeza, sim alguém esteve aqui.
                  Que nada é só coisa da minha cabeça está tudo muito velho, muito usado, preciso comprar tudo de novo... Preciso? Que nada deixa pra lá, está tudo do jeito que deveria estar.

                Dez anos, o cheiro de fuga estava ali, assim como a sombra de morte as acompanhavam. Em seus olhos inocentes podia se confundir a esperança com medo. As mãos frias e suadas revelavam o receio de tudo dar errado, e essa não ser apenas mais uma noite qualquer. Aquela jamais seria uma noite qualquer.
                Uma de pele cristalina e a outra levemente bronzeada, elas uniram suas mãos e seus sonhos, começaram a caminhada, ninguém acreditaria que elas eram apenas crianças nem ao menos se pode acreditar que elas realmente tinham motivo para partir. Se o mundo não fosse tão complexo, elas estariam agora aproveitando sua infância, como num tempo atrás, antes de se conheceram já estava acontecendo...
                Crianças nem sempre são inocentes, bom nessa maldita historia não são. Não sei bem se podemos chamar essas meras criaturas de crianças ainda, já são tão adultas.
                A mais velha era chamada de Eduarda, mas quando partiu mudou seu nome para Ângela assim como o de sua mãe. A mais nova era Amanda, assim como seu nome dizia um amor de pessoa. As duas juntas davam um verdadeiro significado a esperança.
                Eduarda era filha de uma mulher linda, assim como ela, sua pele cristalina chamava atenção aonde ia, seu pai um velho milionário que a Amava como nenhum outro homem poderia amar uma mulher, ele enlouqueceu após a morte da esposa, e via a filha como tal, acho que não preciso explicar daí em diante Eduarda sofria muito, mas não culpava seu pai, até o dia que cada osso de seu corpo foi quebrado, um a cada dia. Eu sei é um tanto exagerado.
                Amanda nunca conheceu seus pais, morava com os avós, sua avó lhe dizia que seu nome havia sido escolhido por sua mãe no leito de morte. Seu pai? Nunca foi mais do que um desconhecido, seus avós a criaram como filha, até dois anos atrás quando por ventura do destino seu avô faleceu, sua casa era muito humilde e aposentadoria da sua avó não garantia nem um alimento. A levaram a um abrigo, a partir daí ela foi encaminhada para vários lugares, casas de famílias, onde ela poderia morar, casas grandes e ricas, casas pequenas. Mas sempre quis voltar para o aconchego de sua avó, mas seu objetivo dali em diante seria encontrar seu pai.
                Cerca de oito meses atrás Amanda foi mandada para essa cidade no interior da Bahia, quando começou a frequentar a escola, no meio de uma briga conheceu Eduarda, assim viraram amigas, logo confidentes e Hoje Ângela e Amanda fugitivas.
 

 - Você tem noção por onde podemos começar tudo isso? – de longe podia-se ver o medo no olhar de Angela.
  - Você não deveria estar aqui, eu falei que eu ia embora, isso na incluía você. Eu sei que você está com medo, é melhor voltar pra sua casa.
- para de falar bobeira, sei que você não conseguiria se virar sem mim, alem do mais eu conheço os melhores pontos dessa cidade, e sei onde nós vamos arrumar uma carona. Alias qual seu plano mesmo? – ela arrastou sua amiga até posto de paradas de caminhões, era um lugar estranho, movimentado e com certeza, crianças não deveriam passar por ali.
- eu quero ir até a casa da minha avó, e a partir de lá procurar meu pai.
- e onde ela mora?
- Pedro Versiani, é uma cidade linda.
- deve ser longe, Minas, certo? – Amanda confirmou com a cabeça, seus olhos estavam hipnotizados olhando a estrada, que as separavam daqueles imensos caminhões.
-Amanda você esta vendo aquele caminhão menor, com a carroceria aberta, tem uma lona laranja em cima. Nós vamos subir nele, e se esconder em baixo daquela lona.
-e para onde ele vai?
- não sei, mas nós temos que sair dessa cidade antes que alguém nos encontre, assim que amanhecer, sairemos dali. E vamos para a sua cidade.
                Antes o que era medo, agora virou determinação, elas correram até o caminhão sem serem vistas, demoraram um tempo até conseguirem subir e se esconder. Meia hora depois um velho entrou naquela cabine, e encaminhou aquele veículo para algum lugar, pobre homem inocente.  Uma semana mais tarde fora interrogado, elas não haviam sido imperceptíveis. Alguém as viu, mas a questão é, por que não foi feito nada. Dizem que lugares assim é algum comum de acontecer, jovens com vontade de ir pra cidade grande ou sei La o que, ninguém se importa na realidade.
                Mas agora é onde tudo começa e também onde tudo acaba.


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Sobre Mim

Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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