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Depositei a adaga ensanguentada em cima daquela mesa qualquer e me direcionei a figura pequena que me olhava com pavor sentada no chão. Aproximei-me lentamente dela, quando toquei seu queixo pude senti-la tremer.

 - Calma pequena. Vou acabar com isso pra você - utilizando um pouco mais de força que o normal pude sentir o seu pescoço quebra-se em minhas mãos. Seu corpo parara de tremer e o deixei cair de forma oca no chão. Os orbes de seus olhos agora imparciais refletiam o vazio daquele cômodo que um dia habitou alguma família feliz.


Depositei a rosa que havia carregado por cruéis 5 quilômetros, que graças ao sol escaldante pareceram mais. Depositei essa rosa diante da casa que você deixara junto com seu passado. Como prometido esperei longos seis meses até finalmente lhe deixar essa mensagem, a qual você provavelmente ira desprezar como de praxe, isso se ela chegar aos seus olhos ou aos seus ouvidos, mas com receio creio que por melhor que tenha escolhido cada palavra e despejado aqui todos os meus sentimentos e desejos sei que isso jamais tocara seu coração corrompido.


            Entre meus gostos particulares açaí sempre fora de longe algo que escolheria para me refrescar num final de tarde, independente de quanto insistissem. Mas seguindo as normas de vida de uma mera plebeia que sou, o tomei obedecendo a ordem de estar apaixonada.
O gosto que sempre me fora amargo tornou-se doce, doce assim como o sorriso que corria pelo canto de sua boca, assim como aquele momento que desejei que durasse séculos.
Mas assim que o açaí acabou sem mais nem menos, sem uma pausa gostosa como essas que as vírgulas nos proporcionam numa boa leitura, a tarde também acabou, se foi num piscar de olhos.
O açaí voltou a ser amargo, assim como os dias e as tardes, assim como eu e meu sorriso que foi roubado.
                Depositei a ultima carta naquela caixa velha, a qual carregava há anos. Lacrei-a e lacrei em minha memória todas as lembranças que jaziam ali. Escondia-a em baixo do piso, abaixo da madeira que sempre rangia com o meu peso morto. Em um ultimo movimento antes de deixar aquele local, peguei a flauta doce que se perdia no emaranhado dos lençóis, os quais aos poucos abriam uma lacuna onde podia se transpassar o que eu tentava esquecer.

                Antes que mais algum pensamento insensato me dominasse larguei aquele local, não olhei para trás, ao caminho toquei uma melodia de despedida a qual nunca se repetirá.


                Nunca pedi para os deuses que me abençoassem com romance. Apesar de ser uma adolescente na flor da idade, queria apenas ser abençoada com poesia.
                Mas os céus me foram cruéis. Apaixonei-me antes de minha décima quinta primavera. De primeira já fora uma flecha certeira. Uma flecha certeira que dilacerou meu coração
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Sobre Mim

Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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