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Home Archive for maio 2013


Que nessas asneiras desse lúcido dia a dia, um dia eu perceba que a vida não é cocaína, que olhares cansados carregam o pesar de tempestades que nunca cessaram. Assim como esses sorrisos gostosos que carregam um mar de lágrimas e sentimentos desamparados.


03h00min AM
                Acordei assustado, meu coração pulsava aceleradamente, deveria estar perdido dentro de mais um pesadelo, me esforcei em vão tentando lembrar o que havia sonhado. Consegui apenas alguns flashes em minha cabeça, nada realmente relevante. Tentei voltar a dormir, mas a cada vez que fechava os olhos via imagens aleatórias minhas gritando, agonizando...
                Decidi tomar um copo d’água, quando finalmente o liquido tocou minha boca, vi meu corpo, ele jazia ali parado em meio á escuridão da cozinha tomando água... Estava flutuando? Não... Algo me puxava... Eu não tinha controle...  
                Dei por mim em uma sala vazia, iluminada por uma vela bizarramente grudada na parede. O chão era pegajoso e de um canto escuro ouvia um gemido, um gemido de dor, meu corpo enrijeceu, senti um calafrio subir e descer a minha espinha. Ah um minuto estava em minha cozinha como vim parar nesse lugar?
                Tentei tirar a vela da parede, mas não consegui. O que quer que fosse que estava do outro lado daquela sala continuava gemendo.
- Ei você precisa de ajuda? Venha até aqui e eu irei te ajudar.
                Assim que pronunciei essas palavras me arrependi amargamente, percebi uma movimentação vinda da escuridão, ouvi estalos como ossos sendo quebrados e os gemidos se aproximaram, cai no chão tremendo de medo e me prensei na parede. Eu estava apavorado, aquilo com certeza não proveria de algo bom... Quero voltar para minha cozinha, para a minha aconchegante cama...
                Senti algo tocar minha pele e uma respiração ao meu lado, quando finalmente criei coragem para abrir meus olhos eu vi... Vi a mim mesmo, era como se olhar em um espelho desfigurado, no lugar dos olhos havia dois buracos pretos, um corte cobria metade do rosto, fedia como um morto e provavelmente não havia nenhum osso intacto, aquele meu eu deformado abriu a boca novamente para gemer e notei que também não tinha língua... Eu me apavorei cada vez mais, quando eu criei coragem e o toquei, ele quebrou como um vaso velho. Ouvi uma gargalha vindo daquela escuridão...

03h30min AM
                Acordei assustado, meu coração pulsava aceleradamente, deveria estar perdido dentro de mais um pesadelo, me esforcei em vão tentando lembrar o que havia sonhado, consegui apenas alguns flashes em minha cabeça, nada realmente relevante...


                Não gosto de me lembrar disso, mas é inevitável... Lembro-me desse dia e sinto como crianças quando acordam de pesadelos tenebrosos que se dissipam com o calor de uma luz acesa. 
                Era estranha a maneira que as horas pareciam se arrastar, me sentei no chão daquela rodoviária escassa de privacidade e olhei para a senhora, olhei como se fosse a ultima vez na vida que a veria. Vi meu pai ao seu lado falhando em tentar te consolar, você chorava, chorava como uma criança, desta mesma forma eu comecei a chorar.
                Nós nunca fomos um exemplo de mãe e filha, sempre tivemos nossos problemas e nossas brigas intermináveis. Mas acima de tudo você sempre foi o meu Sol. Apesar de haver dias tão nublados e chuvosos que mal se podem sentir o calor do Sol, sempre se pode ter certeza que ele está ali, esperando uma oportunidade para aparecer... Assim como a senhora que sempre está comigo, até mesmo estando distante...
                Quando percebi tudo que estava acontecendo, eu já estava dentro do ônibus, minhas malas a muito haviam sido arrumadas.  Naquela janela tinha a visão turva da senhora acenando para mim, dizendo um até logo e se afogando em lágrimas... Naquele momento eu não entendia a sua importância e o motivo de tudo aquilo, a única coisa que lembro perfeitamente é que doía muito e as lágrimas não cessavam. Eu podia ver que havia chegado um grande inverno.
                Se alguém me perguntar se eu já tive um momento ruim na vida, eu posso pensar em alguns sem relevância, mas com certeza sempre me vem em mente uma época. A época que a senhora não estava ali para brigar comigo, para me repreender ou fazer qualquer coisa que uma mãe faz, eu me sentia abandonada e sem nenhum motivo para sorrir. Por mais egoísta que seja da minha parte e eu sei que é, eu me senti bem quando soube que a senhora compartilhava dos mesmos sentimentos.
                Pareceram décadas, infelizmente essa foi á única forma que podemos enxergar o amor que sentíamos. Antes acreditávamos que não fomos feitas para viver nesse mesmo mundo. Agora já é bem ao contrario, vivemos nesse mundo para estarmos juntas. Eu demorei 16 anos para te conquistar, para conquistar sua amizade, seus sorrisos e por pior que seja para poder compartilhar suas lágrimas. Mas não me arrependo. Se quando eu era criança eu soubesse que tudo que eu passava era para ter a senhora da maneira que tenho hoje, certamente teria sido mais forte em todas minhas decisões. Por que nada nesse mundo é mais importante do que o seu sorriso para mim.
                Eu escrevo tanto, mas quando se trata de você eu não consigo escolher palavras, por que nenhuma é suficiente nem cabível para você. Mas mãe, eu tenho orgulho da senhora, jamais poderiam escrever historias de guerreiras sem citar a SUA.
                 A senhora sempre me ensinou a ter os pés no chão, mas meu sonho é ensinar á senhora a sonhar e a sorrir todos os dias. Gostaria de tornar um dia seus sorrisos mais fáceis e tudo menos complexo. Mas tudo vai ficar bem... Por que Eu Te Amo e você me Ama e sempre estarei com você independente de distancia ou qualquer coisa.
                Aqueles dias e meses que passei distante de você eu percebi como minha vida é insignificante sem a pessoa mais importante que existe nela. Queria poder te dar um presente que você mereça, mas infelizmente não tenho como te dar o universo e sua infinidade. Então deixo aqui uma pequena parte de meus sentimentos e algumas palavras doces de amor. 
                Eu te amo, minha rainha, minha guerreira, Feliz dias das Mães mamaizinha.     
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Sobre Mim

Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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