Já que tudo que
escrevo é sobre você. Isso também é sobre você, mas muito mais sobre mim. Sobre
meu desejo ilimitado e amor exagerado, sobre como você fez eu exceder todos os
meus limites e me tornou uma louca, quase, senão, inconsequente.
Eu invejo a forma como tudo sempre pareceu mais
fácil para você, no fim disse-me que se sentia mais leve, havia tirado um peso
das costas, eu. Engraçado que eu
sempre fui leve demais, metade de mim flutuava e a outra metade você nem se deu
ao trabalho de conhecer.
Quando você se foi levou minha paz, minha
sanidade e todo o meu sono junto. Eu queria que tivesse levado meu coração
também, porque ele ainda lhe pertence, mesmo não estando mais presente.
Queria que a empatia fizesse uma morada em você,
assim você poderia sentir um pouco dessa merda toda que está rolando
comigo, os dias são fáceis sabe? O problema são as noites, as voltas para casa,
chorar num ônibus lotado tornou-se praxe. Logo para mim, a guria que não
chorava.
Espero um dia aceitar que perdi a pessoa
incrível que você é, ou talvez, eu só note que você não é uma pessoa tão
incrível assim.
Odeio olhar para minha cama vazia. Sabe... no
meu travesseiro ainda vive seu cheiro, nem todas as lágrimas do mundo e nem a
meia dúzia de lavagens que ele passou tirou você dele, assim como tudo que
tentei não te tirou de mim.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
0 comentários:
Postar um comentário