Entre
meus gostos particulares açaí sempre fora de longe algo que escolheria para me
refrescar num final de tarde, independente de quanto insistissem. Mas seguindo
as normas de vida de uma mera plebeia que sou, o tomei obedecendo a ordem de
estar apaixonada.
O gosto que sempre me fora amargo tornou-se doce, doce assim como
o sorriso que corria pelo canto de sua boca, assim como aquele momento que desejei
que durasse séculos.
Mas assim que o açaí acabou sem mais nem menos, sem uma pausa
gostosa como essas que as vírgulas nos proporcionam numa boa leitura, a tarde
também acabou, se foi num piscar de olhos.
O açaí voltou a ser amargo, assim como os dias e as tardes, assim
como eu e meu sorriso que foi roubado.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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