Depositei a ultima carta naquela caixa velha, a qual carregava há anos. Lacrei-a e lacrei em minha memória todas as lembranças que jaziam ali. Escondia-a em baixo do piso, abaixo da madeira que sempre rangia com o meu peso morto. Em um ultimo movimento antes de deixar aquele local, peguei a flauta doce que se perdia no emaranhado dos lençóis, os quais aos poucos abriam uma lacuna onde podia se transpassar o que eu tentava esquecer.

                Antes que mais algum pensamento insensato me dominasse larguei aquele local, não olhei para trás, ao caminho toquei uma melodia de despedida a qual nunca se repetirá.

Compartilhe

Sobre o Autor

Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

0 comentários:

Postar um comentário