Ela morreu de fome, um dia acordou e simplesmente percebeu
que não queria mais comer. Seu estômago já não roncava e não almejava
alimentos, não os considerava nem ao menos saborosos, não conseguia comer. Apenas o ato de aproximar algo de sua boca
lhe causava náuseas. Dentro dela só subia uma mare de sentimentos negativos.
Sei que se tivesse vivido por mais um dia, talvez, tivesse
tido uma de suas crises que acabavam com tentativas de suicídio e seu final
seria trágico de qualquer forma. Mas, não.... Ela morreu de fome, meu caro.
Ela poderia ter
morrido há dois meses em um assalto malsucedido, poderia ter sido
atropelada, já que atravessar ruas nunca foi o seu forte ou apenas o acaso
poderia tê-la matado. Mas, não.... Ela morreu de fome diante da abundância de
alimentos, morreu frente a comida mais saborosa desde a criação da Terra, tão
saborosa, mas foi impedida de tocar.
Não comeu por quase duas semanas e não dormiu por cinco noites
e PLAU. Uma noite após uma de suas constantes alucinações ela sentiu-se viva,
como nunca antes, seu estômago gritou por ajuda pela última vez e sua cabeça atordoada
concordou. As mais profundas dores de sua alma tornaram-se rasas e no segundo
seguinte sua vida se esvaiu, levando consigo todas as coisas incríveis de uma
vida que jamais será vivida, que jamais quis ser vivida.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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