Addio pt2
É irônico como baixei os CD’s das suas bandas favoritas, só
para saber qual era aquela música que você cantava baixinho quando estava
entediado. Eu adorava quando você se
dizia curioso sobre quem eu era, na época eu até achava bonitinho. Minha
cegueira me impediu de ver que eram apenas jogos de conquista, você nunca se
interessou por quem eu realmente sou.
Eu sempre ansiei para encontrar meu lugar no mundo,
infelizmente você nunca me deixou participar do seu. Suas palavras foram só
brisa macia trazendo a tempestade, afinal.
Me incomoda o fato como você sempre soube que
secretamente eu olhava as fotos que você curtia, e assim no dia que você pretendia
terminar, antes de me dizer qualquer coisa você curtiu as fotos dela. Então eu soube, eu só não quis acreditar e me
rendi pela primeira vez ao otimismo. Só para acabar tendo certeza que ele não
funciona.
Ela que era a mulher perfeita, que saiu dos
seus sonhos. Até nos sorrisos dela você queria se encaixar, sinto muito, mas
ela te deixou e despedaçou seu coração, a mulher dos seus sonhos também foi a dos
seus pesadelos. Lembro perfeitamente como
me disse cabisbaixo que se tornara só cacos e que eu ajudei a juntar.
Agora vejo que não valeu de nada o que fiz, pq para você nem o meu sentimento
mais profundo fez diferença.
Dói perceber que amei sozinha, me abri com você
e contei como meu coração era um mar de feridas e como tinha medo de
relacionamentos e já estava tão machucada, que "nós" deveria ser uma
má ideia. Mas você me abraçou olhou firmemente nos meus olhos e prometeu que
seria a diferença que minha vida precisava.
Já tinha ouvido isso antes, mas mesmo assim
inocentemente eu acreditei. Que tola eu fui, não? E de novo está aqui meu coração, bem
mais ferido que antes.
Aos seus presentes, dei-lhes lugar no fundo
de uma gaveta, espero que funcione assim também o meu coração. Poder colocar tudo que sinto lá no fundo, até
esquecer-me do que senti.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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