- Ei, qual o seu nome?

- Meu nome? Porque diz "meu"? Ele não me pertence, do contrário não encontraria com tantas outras sorrindo ao ouvi-lo, é só uma palavra, um adjeto, para você poder sentir que é alguém, para eu me sentir alguém. Ele é irrelevante, tanto seu som quanto o seu significado. Por que não fica satisfeito me chamando de “ei” mesmo? Afinal pra mim ele não é nada e pra você também não deveria ser. Não passa de uma imposição, talvez o mais próximo de uma identidade que eu tenha seja meu número, então tudo que você quer é meu CPF?  Mas ele também não me convence da minha importância, e nem deve te convencer.

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Sobre o Autor

Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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