Bruno


O fato é que o Bruno era pacato, menino de bairro, só saia por obrigação ou quando cansava da rotina. 

Esse era o eu comum do Bruno, família tradicional, rotinas tradicionais.

Exceto quando se apaixonava, ele temia o amor, como gatos temem a água, como a vida teme a morte, ele gostava do morno e o calor dos sentimentos o apavorava. 

Era angustia, e isso o fazia se jogar de sexta à domingo Augusta abaixo, bocas abaixo. 

Na semana ele trabalhava e criava novas tendências, novos clichês, novos amores e fugia mais do seu desespero interno.

De segunda à sexta, aula e trabalho sem feriado, era caixa e escrevia poemas atrás das notas ficais, mas não os entregava, entrega significa amor
e por desespero, Bruno, não amava.

Compartilhe

Sobre o Autor

Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

0 comentários:

Postar um comentário