16.04


Eu fico me julgando e pensando em como não cometer os mesmos erros, como é burrice sempre estar cometendo-os e procurando resultados diferentes. Mesmo insistindo na mesma rota, finjo que vou acabar em algum lugar diferente, mas eu estou sempre aqui, no meu poço de frustrações criando laços e muros, tentando provar que sou forte o suficiente para te ter.

Tenho procurado as soluções, mas cá estamos nós, é abril e desde janeiro eu ainda penso em como sua barba arranha e como a sua voz é melodia aos meus ouvidos. 

Eu juro que não acredito mais no amor, mas eu acredito em você, e você é todo o amor que eu quero no mundo. Eu não sou boa em desatar nós e não soube renunciar você.

O inverno continua atrasado, acho que para acompanhar meu descaso, com tudo, que tenho feito de errado e que não tenho feito nos últimos tempos, na esperança de ser notado, mas eu ainda não consegui a atenção necessária. 

Eu não sei falar mais, minha língua foi presa por ti e minhas palavras tornaram-se murmúrios de castigo e cada vez que eu escrevo cresce um pouco mais do seu eu imaginário em mim e eu não consigo impedi-lo de crescer. 

Amanhã é o quarto mês que eu não durmo pensando na cura de todos os seus medos e pela quinta vez na vida esqueci que eu não posso curar ninguém enquanto busco a minha cura.

Compartilhe

Sobre o Autor

Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

0 comentários:

Postar um comentário