Sobre relacionamentos abusivos
Eu queria não me torturar mais todos os dias com as
inseguranças que você me fez carregar, eu sabia o que era amor e principalmente
sabia o que não era amor muito antes de te conhecer. Sempre foi difícil me
amar, amor próprio não se encaixa bem no meu dicionário.
Eu já tinha depressão antes de você me culpar por tudo que
há de errado na sua vida, eu tomava remédios para aliviar a dor antes de você
me dizer como sou ruim e incapaz de qualquer coisa, eu já não tinha amor
próprio bem antes de você me proibir de me amar.
Eu já pensava em suicídio bem antes de você jogar na minha
cara diariamente como tudo ao meu redor é ruim. Eu já odiava meu corpo e ter
nascido mulher antes de você me sexualizar e dizer que as pessoas só se
aproximam de mim com segundas e terceiras intenções.
Eu já chorava até dormir todas as noites por sentir a dor da
solidão, antes de você me culpar por tudo de ruim que já me aconteceu e obrigatoriamente
me isolar do mundo. Eu já era uma pessoa fechada antes de você me colocar na
sua caixinha de dores e me chacoalhar dizendo que eu faço tudo errado e que
deveria aprender com meus erros.
Eu já tinha medo de sair de casa antes de você impor suas paranoias
em mim e me dizer que eu deveria me trancar e me proteger de tudo e todos o
tempo todo.
Eu já me achava uma pessoa ruim antes de você me dizer que
eu estava “fodendo” sua vida, pois não aguentava toda a pressão que você
colocava em mim.
Eu já me odiava muito antes de você me odiar.
Eu queria saber mais sobre resiliência e conseguir lidar com
todas as dores que tenho carregado. Eu queria não chorar mais todos os dias por
coisas que não cabem a mim, às vezes as coisas não dão certo e tudo bem, eu sei
que não deveria me torturar com isso.
Eu fico lendo sobre toda a minha dor e como eu queria que
você me amasse, mas como você mesmo disse eu não aprendo, eu ainda não consegui
aprender que enquanto eu não me amar eu não terei isso de ninguém.
Em quantos pedaços terei que me dividir para ser amada por
você?
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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