O que meu desespero lhe gera?
Eu me visto de forte, mas tem sido uma roupa velha e
rasgada, já não me serve. Eu cresci demais para não admitir minhas fraquezas.
Eu já não aguento mais a solidão, é foda que apenas quem vem
de um lar desestruturado consegue compreender que minha mochila é vazia.
Por um tempo achei que amor era abrir mão, pois era isso que
eu fazia para quem eu amava, até eu compreender que não, e parar de abrir mão
de tudo que sou pelos outros.
Sabe, é foda, eu me sinto completamente abandonada, eu não
aguento esse sentimento. Eu sei, cresça e aprenda a lidar...
Já se imaginou como um animal doméstico? Ganha carinho
quando convém, tem uma comida todos os dias no prato, muitas vezes que nem
gosta, mas você come, afinal é tudo que tem. Sempre achei que a maternidade
fosse abrir mão, eu descobri muito bem que ser filha é, ser mãe... não fica ao
meu critério deturpar.
Eu aprecio aqueles que permitem a minha nudez, minha alma é
tão fraca e clama tanto por atenção, eu já aceitei bem que é um erro procurar
amor nas esquinas da vida, mas sabe, aceitar um erro não impede de repeti-lo.
Eu perdi a conta das contas que fiz para tentar me apagar,
minha borracha é falha, assim como meu sorriso e meu desespero que já não geram
nada. O que meu desespero lhe gera?
Me preencho de futilidades, pois as pessoas já não me cabem
mais, eu compreendo qual é a flexibilidade necessária para me encaixar em
qualquer canto, me encaixei bem em tantos, qual a dificuldade de encaixar-se em
mim? (Está tão vazio aqui)
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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