Maresia

Teus enjoos dos meus enjoos são enjoativos.
Sua mania de reclamar sobre as minhas frustrações
me faz pensar em não acordar pela manhã.
O seu cansaço nos cansa,
sua hidratação me resseca,
és tão nutrido diante da beira da morte do meu corpo,
que conforme lhe nutre, os ossos sobem-me à carne
Dessa carne que tu mastigas com tanta heresia,
você não nutre, me rouba o ar e me doa seu hálito moribundo
Você se perde ao me encontrar,
de todas os homens que vieram do pó e a ele retornarão
és tu a exceção,
és sim homem,
porém não há em ti um pedaço dessa terra.

Seu corpo foi cozido das pestes do mundo,
a sua devolução foi feita quando lhe deram uma voz,
que me faz pensar, às vezes, em não acordar...

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Sobre o Autor

Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.

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