Você é a Amélia desse lar desgraçado.
Sua dor, em mim faz recesso, de tanta angustia que te cai e com toalhas já úmidas tento seca-la.
Mas não seca, meus trapos já não te calam.
Não há em você um canto sem o grito agônico da vida, que te carrega nas costas te trazendo o pesar de todos os dias.
Sua dor, em mim faz recesso, de tanta angustia que te cai e com toalhas já úmidas tento seca-la.
Mas não seca, meus trapos já não te calam.
Não há em você um canto sem o grito agônico da vida, que te carrega nas costas te trazendo o pesar de todos os dias.
Em mim você despoja todas as frustrações, se já não estivesse
enlameada com seus conflitos internos e em suas crises externas, alguém mais a suportaria?
Amélia, de onde você traz tanto pesar?
Das cinquenta vezes que por você a Terra girou em torno do Sol, não há deus que negue que foram as cinco décadas de maior escuridão que o homem já viu. (Se é que alguém notou a ausência de luz que sempre pairou em você.)
Das cinquenta vezes que por você a Terra girou em torno do Sol, não há deus que negue que foram as cinco décadas de maior escuridão que o homem já viu. (Se é que alguém notou a ausência de luz que sempre pairou em você.)
Oh mãe, Amélia, guerreira sem ira.
Oh mulher que não aprendeu a amarrar os laços de amor as suas crias.
A ti, minhas condolências por ter caminhado durante aqueles 50 anos sem vida.
Oh mulher que não aprendeu a amarrar os laços de amor as suas crias.
A ti, minhas condolências por ter caminhado durante aqueles 50 anos sem vida.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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