Eu queria vomitar, vomitar todos esses sentimentos tão invasivos,
mas não podia. Meu senso comum nunca me deixava ultrapassar as extremidades da
minha própria desorientação.
Ao invés de sair gritando na rua tudo que sei e acho que sei
sobre todas as verdades do mundo, resolvi me enroscar nessas linhas, que, antes
de mim eram tão organizadas e agora são tão estranhamente embaralhadas.
Demonstrar nunca foi de praxe pra mim, bem pelo contrário,
cada toque ou aproximação humana era uma enorme contusão. Cada gesto de apreço
e afeição me causava uma cólera, quase/completamente imaginária.
Sei que nessa fatia não estou sendo completamente
transparente, e cada certeza é uma contradição. Até mesmo esse passado/presente
misturado é puro sentimentalismo para lhe envolver nessa confusão.
Não sei dizer se era apenas a desnutrição que embrulhava e
feria meu estômago ou se era esse lapso de vontades subentendidas e carentes
que consumiam cada fagulha desse meu ser/meio ser.
Porem de tudo que fora dito tiro uma certeza incerta, o
problema não sou eu, são sim todos esses caprichos mal elaborados e canções que
não são escutadas. É esse vazio rasgado e preenchido com tolices e senso comum,
com esse meu senso comum que nunca me deixa ultrapassar as extremidades da
minha própria desorientação.
Sobre o Autor
Andressa Pontes: Sonho em salvar almas despedaçadas como a minha, miro em casos perdidos e sou tão boa de queda quanto de cicatrização. Casada com a impaciência e melhor amiga da falta de atenção, tantos anos que não gosto de contar. Dona do português mais desafinado desse país e fã de poesia. Jornalista e nas horas vagas tiro foto do meu all star em todo canto de SP.
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